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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Maravilhoso Discurso realizado por Steve Jobs em Stanford 2005

Por Eric Colombo


Reprodução


Em 2005, Steven Paul Jobs, o grandioso visionário, Steve Jobs, fundador de uma das maiores empresas de tecnologia, e hoje a marca mais valiosa do mundo, realizou um discurso aos formando de Stanford, extremamente motivador e emocionante.



Eu particularmente, já havia lido, a aproximadamente 1 ano atrás em uma de suas biografias, porém hoje, pela primeira vez, resolvi buscar um vídeo desse discurso, e a forma em que Jobs usa de suas palavras, é incrível, assim como sua vida foi.

Um grande conselho que Jobs deixa ao mundo nesse discurso é "O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém. Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas." 

Leia e veja abaixo o vídeo do discurso na íntegra e “Continue com fome, continue bobo.” 



Estou honrado de estar aqui, na formatura de uma das melhores universidades do mundo. Eu nunca me formei na universidade. Que a verdade seja dita, isso é o mais perto que eu já cheguei de uma cerimônia de formatura. Hoje, eu gostaria de contar a vocês três histórias da minha vida. E é isso. Nada demais. Apenas três histórias. 
A primeira história é sobre ligar os pontos. 
Eu abandonei o Reed College depois de seis meses, mas fiquei enrolando por mais 18 meses antes de realmente abandonar a escola. E por que eu a abandonei? Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem universitária solteira que decidiu me dar para a adoção. Ela queria muito que eu fosse adotado por pessoas com curso superior. Tudo estava armado para que eu fosse adotado no nascimento por um advogado e sua esposa. Mas, quando eu apareci, eles decidiram que queriam mesmo uma menina. 
Então meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite com uma pergunta: “Apareceu um garoto. Vocês o querem?” Eles disseram: “É claro.” 
Minha mãe biológica descobriu mais tarde que a minha mãe nunca tinha se formado na faculdade e que o meu pai nunca tinha completado o ensino médio. Ela se recusou a assinar os papéis da adoção. Ela só aceitou meses mais tarde quando os meus pais prometeram que algum dia eu iria para a faculdade. E, 17 anos mais tarde, eu fui para a faculdade. Mas, inocentemente escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford. E todas as economias dos meus pais, que eram da classe trabalhadora, estavam sendo usados para pagar as mensalidades. Depois de seis meses, eu não podia ver valor naquilo. 
Eu não tinha idéia do que queria fazer na minha vida e menos idéia ainda de como a universidade poderia me ajudar naquela escolha. E lá estava eu, gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado durante toda a vida. E então decidi largar e acreditar que tudo ficaria ok. 
Foi muito assustador naquela época, mas olhando para trás foi uma das melhores decisões que já fiz. No minuto em que larguei, eu pude parar de assistir às matérias obrigatórias que não me interessavam e comecei a frequentar aquelas que pareciam interessantes. Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais eu comprava comida. Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo domingo à noite para ter uma boa refeição no templo hare-krishna. Eu amava aquilo. 
Muito do que descobri naquela época, guiado pela minha curiosidade e intuição, mostrou-se mais tarde ser de uma importância sem preço. Vou dar um exemplo: o Reed College oferecia naquela época a melhor formação de caligrafia do país. Em todo o campus, cada poster e cada etiqueta de gaveta eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu tinha largado o curso e não precisava frequentar as aulas normais, decidi assistir as aulas de caligrafia. Aprendi sobre fontes com serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia boa. Aquilo era bonito, histórico e artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode entender. E eu achei aquilo tudo fascinante. 
Nada daquilo tinha qualquer aplicação prática para a minha vida. Mas 10 anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse deixado aquele curso na faculdade, o Mac nunca teria tido as fontes múltiplas ou proporcionalmente espaçadas. E considerando que o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as tivesse. 
Se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria frequentado essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm. É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois. 
De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim. 
Minha segunda história é sobre amor e perda. 
Eu tive sorte porque descobri bem cedo o que queria fazer na minha vida. Woz e eu começamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Trabalhamos duro e, em 10 anos, a Apple se transformou em uma empresa de 2 bilhões de dólares e mais de 4 mil empregados. Um ano antes, tínhamos acabado de lançar nossa maior criação — o Macintosh — e eu tinha 30 anos. 
E aí fui demitido. Como é possível ser demitido da empresa que você criou? Bem, quando a Apple cresceu, contratamos alguém para dirigir a companhia. No primeiro ano, tudo deu certo, mas com o tempo nossas visões de futuro começaram a divergir. Quando isso aconteceu, o conselho de diretores ficou do lado dele. O que tinha sido o foco de toda a minha vida adulta tinha ido embora e isso foi devastador. Fiquei sem saber o que fazer por alguns meses. 
Senti que tinha decepcionado a geração anterior de empreendedores. Que tinha deixado cair o bastão no momento em que ele estava sendo passado para mim. Eu encontrei David Peckard e Bob Noyce e tentei me desculpar por ter estragado tudo daquela maneira. Foi um fracasso público e eu até mesmo pensei em deixar o Vale [do Silício]. 
Mas, lentamente, eu comecei a me dar conta de que eu ainda amava o que fazia. Foi quando decidi começar de novo. Não enxerguei isso na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter acontecido para mim. O peso de ser bem sucedido foi substituído pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos certezas sobre tudo. Isso me deu liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida. Durante os cinco anos seguintes, criei uma companhia chamada NeXT, outra companhia chamada Pixar e me apaixonei por uma mulher maravilhosa que se tornou minha esposa. 
A Pixar fez o primeiro filme animado por computador, Toy Story, e é o estúdio de animação mais bem sucedido do mundo. Em uma inacreditável guinada de eventos, a Apple comprou a NeXT, eu voltei para a empresa e a tecnologia que desenvolvemos nela está no coração do atual renascimento da Apple. 
E Lorene e eu temos uma família maravilhosa. Tenho certeza de que nada disso teria acontecido se eu não tivesse sido demitido da Apple. 
Foi um remédio horrível, mas eu entendo que o paciente precisava. Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama. 
Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz. 
Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não sossegue. 
Minha terceira história é sobre morte. 
Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: “Se você viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o último.” Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: “Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?” E se a resposta é “não” por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa. 
Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo — expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar — caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração. 
Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração. 
Há um ano, eu fui diagnosticado com câncer. Era 7h30 da manhã e eu tinha uma imagem que mostrava claramente um tumor no pâncreas. Eu nem sabia o que era um pâncreas. 
Os médicos me disseram que aquilo era certamente um tipo de câncer incurável, e que eu não deveria esperar viver mais de três a seis semanas. Meu médico me aconselhou a ir para casa e arrumar minhas coisas — que é o código dos médicos para “preparar para morrer”. Significa tentar dizer às suas crianças em alguns meses tudo aquilo que você pensou ter os próximos 10 anos para dizer. Significa dizer seu adeus. 
Eu vivi com aquele diagnóstico o dia inteiro. Depois, à tarde, eu fiz uma biópsia, em que eles enfiaram um endoscópio pela minha garganta abaixo, através do meu estômago e pelos intestinos. Colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células do tumor. Eu estava sedado, mas minha mulher, que estava lá, contou que quando os médicos viram as células em um microscópio, começaram a chorar. Era uma forma muito rara de câncer pancreático que podia ser curada com cirurgia. Eu operei e estou bem. 
Isso foi o mais perto que eu estive de encarar a morte e eu espero que seja o mais perto que vou ficar pelas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso agora dizer a vocês, com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito apenas abstrato: ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá. 
Ainda assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca conseguiu escapar. E assim é como deve ser, porque a morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento, o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se tornará um velho e será varrido. Desculpa ser tão dramático, mas isso é a verdade. 
O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém. 
Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas. 
Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior.
E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. 
Todo o resto é secundário. 
Quando eu era pequeno, uma das bíblias da minha geração era o Whole Earth Catalog. Foi criado por um sujeito chamado Stewart Brand em Menlo Park, não muito longe daqui. Ele o trouxe à vida com seu toque poético. Isso foi no final dos anos 60, antes dos computadores e dos programas de paginação. Então tudo era feito com máquinas de escrever, tesouras e câmeras Polaroid. 
Era como o Google em forma de livro, 35 anos antes de o Google aparecer. Era idealista e cheio de boas ferramentas e noções. Stewart e sua equipe publicaram várias edições deWhole Earth Catalog e, quando ele já tinha cumprido sua missão, eles lançaram uma edição final. Isso foi em meados de 70 e eu tinha a idade de vocês. 
Na contracapa havia uma fotografia de uma estrada de interior ensolarada, daquele tipo onde você poderia se achar pedindo carona se fosse aventureiro.
Abaixo, estavam as palavras:
“Continue com fome, continue bobo.” 
Foi a mensagem de despedida deles. Continue com fome. Continue bobo. E eu sempre desejei isso para mim mesmo. E agora, quando vocês se formam e começam de novo, eu desejo isso para vocês. Continuem com fome. Continuem bobos. 
Obrigado.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Tico Santa Cruz posta texto bastante emocionante sobre morte deChampignon


Por Eric Colombo


Facebook/TicoSantaCruzFrases
O vocalista do Detonautas, Tico Santa Cruz, publicou em sua página no facebook, um texto bastante comovente, sobre o suicídio de seu companheiro do Rock nacional, Champignon, que foi encontrado morto em seu apartamento na madrugada de 09/09/2013.

Em tese, Tico Santa Cruz crítica a forma de pensar de muitos sobre o suicídio e revela também que graças a uma terapia, conseguiu se desviar desse fim em 2004.

Veja abaixo o texto publicado em sua página

O suicídio e quando a gente quase atravessa a ponte. 
Não vou me ater a tristeza que é a perda de uma pessoa que a gente conhece. Mas a variáveis que levam alguém a desistir desse lugar. 

Por volta de 2004 estive muito próximo de por em prática o plano ir embora. Por vingança. Por acreditar que com essa atitude talvez conseguisse atingir aqueles que estavam me machucando. 
Quem estava me machucando? 

Eu acreditava que o mundo todo. 
A Terapia me salvou. Foi onde pude colocar pra fora todas as minhas angústias, as ansiedades e as dores da alma. E perceber que eu não era vítima de nada, ou melhor estava sendo algoz de mim mesmo. Foram muitos anos seguidos de terapia para conseguir perceber que as respostas estavam dentro de mim. 
Procurei os caminhos e comecei a encarar meus monstros. Alguns eu domei, outros ainda me assombram até hoje. Mas procuro administrá-los. 
Tive alguns outros rompantes ao longo do caminho. 
Mas por que? você pode perguntar.
- Você tem tudo que quis. Algum dinheiro, fama, mulheres, prazeres e privilégios que muitas pessoas não tem. Por que pensar em algo assim? 

E as pessoas continuam achando que as questões materiais de fato sejam o suficiente para tapar os rombos na alma. Como se sucesso, fama e dinheiro, mulheres, drogas ou qualquer coisa desse tipo, fizesse com que a maneira de enxergar o mundo sem as cortinas que a maioria não percebe, não pudesse minar a sensação de que este lugar é um plano denso demais para alguns corações. 

Poucos entenderão. 
A segunda razão que leva alguém a decidir pegar seu caminho para longe daqui por conta própria é o desespero. É perceber que por mais esforços que você faça, nada supra os anseios alheios e aqueles que sua alma clama. E quem está mais exposto, está mais sujeito a ser perturbado. Pensamentos, imagens, desejos, sonhos, frustrações, conflitos, sentimentos de euforia e solidão que se revezam de uma forma fulminante e que vão minando seu coração. 

Nós que trabalhamos com arte, e que de alguma forma conseguimos nos destacar, temos de ter a consciência de que estamos sujeitos a todo tipo de julgamento e de ataques. Assim como devemos celebrar e saber tirar do amor e do carinho dos fãs e dos admiradores algum conforto para encarar os desafios. 
Não são poucos os desafios, nem tão pouco menores as cobranças. 
Não somos apenas as imagens que vocês assistem nos shows, nas Tvs, nas revistas e que movem milhares de outros jovens a desejar serem como somos. Há muita dificuldade em se levar esta vida que as pessoas acreditam ser apenas de glamour. 
Existem muitas inseguranças, muitas lutas, muitas e muitas frustrações. A alma dói. 
"É difícil viver as verdades do mundo quando o seu coração não se sente a vontade" - certa vez escrevi em "Verdades do mundo".

Há muita falsidade, muita mentira, muita intriga, muitos elementos que não ficam expostos. Entre a sombra e a luz, nós vamos andando e lidando com todo tipo de energia. 

Tão pouco seja fácil para quem nos acompanha de perto. Família, filho e etc. Distância, saudade, pouco tempo juntos. 
Aprendi a blindar meu coração, mas não estou livre de sentir. 

Muitas vezes o desespero bate na minha porta. Espanca minha porta, tenta arrombar minha porta. Mas busco sempre e de alguma maneira neutralizá-lo. Aprendi na TERAPIA a criar mecanismos para isso. 
- Não guardar rancor. 
- Vomitar o que me faz mal internamente. 
- Explodir e colocar para fora os sentimentos negativos de ódio, raiva e outros que possam me fazer mal, mesmo que isso pareça um mal no momento em que é exposto. 

Tem dias que realmente você não tem vontade de sair da cama. 
Sensação de cansaço, de que esse mundo é uma merda, de que grande parte da humanidade é cruel e de que não há nada concreto que possamos fazer para mudar isso. 
Então você lembra que não está sozinho e tenta tirar forças para que esse sentimento profundo de tristeza não te afunde mais. 
Algumas pessoas reagem melhor que outras, mas não devemos condenar ninguém. 

A sensibilidade de alguns é muito mais forte do que se imagina quando se vê a imagem com cara de malvado e com uma atitude de enfrentamento. Doer a dor dos outros. Das desigualdades, das guerras, das perdas, das pessoas que nem conhecemos ou tão pouco precisaríamos nos preocupar. 

Quando perdi o meu parceiro de banda. Rodrigo Netto, que foi assassinado no Rio de janeiro. O chão se abriu e a crueza do mundo ficou ainda mais latente. Minha revolta subiu ao nível máximo. Eu queria novamente me vingar desse mundo. Mas dessa vez não usando minha própria vida. Canalizei a revolta para outros caminhos. Mas estava lá o sentimento de que esse mundo não vale a pena. E entendi o que Renato Russo disse quando Versou "São meus filhos que tomam conta de mim...." 

Pois bem. 
O suicídio por muitos é encarado como um ato de covardia, de egoísmo, de fragilidade e pode até ser. Mas é muito fácil de julgar olhando apenas os elementos que TE RODEIAM. Muito fácil falar quando não é sua alma que está sangrando. Porque a sua vida, seja ela como for, tem razões para seguir. Nem todo dinheiro, fama, ou seja lá o que faz as pessoas condicionar a felicidade esteja atrelada a algo material que possa suprir o que cada pessoa tenha como emoção e razão dentro de si. 

Não existem culpados. 
A pressão que nós sofremos é muito grande. Muito maior do que imaginam aqueles que através desse novo mecanismo de comunicação que nos coloca cara a cara com com muita maldade de muita gente sem consciência e sem escrúpulo. 
Pode ter certeza absoluta que isso machuca muito qualquer ser humano. Desde um garoto na escola que sofre com as brincadeiras de mal gosto de seus colegas, quanto essa corja que faz questão de invadir seus espaços para te ofender, te criticar, de humilhar muitas vezes, como se nós tivéssemos a obrigação de sermos imunes a estas colocações. 
A internet e essa possibilidade de fazer contato com o amor e com o ódio das pessoas, pode sim, catalisar um processo de negação, de dor e de desespero. A exposição é muito grande. 
Há quem saiba lidar com isso e há quem se sinta atingido. 

Já me senti atingido muitas vezes. E não tenho medo de expor, sob a condição de que venham usar isso contra mim. 
Nessa madrugada mesmo, após receber a triste notícia da perda de uma pessoa que conheci, li mensagens como: 
"E agora Tico Santa Cruz, só falta você"... entre outras coisas que num momento de dor e angustia te fazer perder a crença na humanidade. 

Não vou teorizar sobre o que levou o Champignon a tal decisão. Mas foi algo muito grave e muito triste. MUITA PRESSÃO. E acho que não cabe a ninguém julgar sua atitude, pois NENHUM DE NÓS jamais saberá o que esse cara estava passando. 

Ao invés de dizer que ele tinha tudo e que ainda deixou sua esposa grávida. Se questionem, se ele tinha tudo e ainda deixou sua esposa grávida e um futuro pela frente, o que pode ter motivado seu ato final? 

Quem sofre na alma, às vezes pode acionar a saída de emergência. E por mais egoísta que isso possa soar, julgar e condenar, não me parece uma atitude de quem se sente superior a ponto de estar em condições de dar o veredicto final. 

Não existe volta. Todos nós temos momentos de dor, alguns sentem mais. 

Eu decidi que não iria me entregar, mas não me sentiria um covarde se resolvesse partir. Tenho razões fortes para continuar lutando nesse plano. Mas que sinto uma grande tristeza e muitas angústias quando vejo a falta de COMPAIXÃO das pessoas de forma geral. E pobre de quem acredita que questões materiais sejam um bom motivo para justificar as decisões. 
O verdadeiro motivo que nos mantém vivos é encontrar algo ou alguém que nos fortaleça nos momentos mais difíceis, e num mundo de tanta falsidade - basta um segundo e você pode perder a razão. 

Lhes digo com convicção - lutem, não se entreguem, não se deixem levar pelo lado cruel das pessoas. Mas lhes digo também. Não julguem aqueles que desistiram. Vocês não são melhores ou mais corajosos que eles. 

Apenas respeitem, por mais difícil que seja. 
Nesse momento, a quem é do bem, a quem tem amor pelo próximo, é dedicar a sua energia boa aos amigos e a quem ficou.

Pode acreditar. 
É muito mais difícil amar os outros do que expandir seu ódio e seus conceitos de superioridade. 

Tico Sta Cruz.

Eu acreditava que o mundo todo. 
A Terapia me salvou. Foi onde pude colocar pra fora todas as minhas angústias, as ansiedades e as dores da alma. E perceber que eu não era vítima de nada, ou melhor estava sendo algoz de mim mesmo. Foram muitos anos seguidos de terapia para conseguir perceber que as respostas estavam dentro de mim. 
Procurei os caminhos e comecei a encarar meus monstros. Alguns eu domei, outros ainda me assombram até hoje. Mas procuro administrá-los. 
Tive alguns outros rompantes ao longo do caminho. 
Mas por que? você pode perguntar.
- Você tem tudo que quis. Algum dinheiro, fama, mulheres, prazeres e privilégios que muitas pessoas não tem. Por que pensar em algo assim? 
E as pessoas continuam achando que as questões materiais de fato sejam o suficiente para tapar os rombos na alma. Como se sucesso, fama e dinheiro, mulheres, drogas ou qualquer coisa desse tipo, fizesse com que a maneira de enxergar o mundo sem as cortinas que a maioria não percebe, não pudesse minar a sensação de que este lugar é um plano denso demais para alguns corações. 
Poucos entenderão. 
A segunda razão que leva alguém a decidir pegar seu caminho para longe daqui por conta própria é o desespero. É perceber que por mais esforços que você faça, nada supra os anseios alheios e aqueles que sua alma clama. E quem está mais exposto, está mais sujeito a ser perturbado. Pensamentos, imagens, desejos, sonhos, frustrações, conflitos, sentimentos de euforia e solidão que se revezam de uma forma fulminante e que vão minando seu coração. 
Nós que trabalhamos com arte, e que de alguma forma conseguimos nos destacar, temos de ter a consciência de que estamos sujeitos a todo tipo de julgamento e de ataques. Assim como devemos celebrar e saber tirar do amor e do carinho dos fãs e dos admiradores algum conforto para encarar os desafios. 
Não são poucos os desafios, nem tão pouco menores as cobranças. 
Não somos apenas as imagens que vocês assistem nos shows, nas Tvs, nas revistas e que movem milhares de outros jovens a desejar serem como somos. Há muita dificuldade em se levar esta vida que as pessoas acreditam ser apenas de glamour. 
Existem muitas inseguranças, muitas lutas, muitas e muitas frustrações. A alma dói. 
"É difícil viver as verdades do mundo quando o seu coração não se sente a vontade" - certa vez escrevi em "Verdades do mundo".
Há muita falsidade, muita mentira, muita intriga, muitos elementos que não ficam expostos. Entre a sombra e a luz, nós vamos andando e lidando com todo tipo de energia. 
Tão pouco seja fácil para quem nos acompanha de perto. Família, filho e etc. Distância, saudade, pouco tempo juntos. 
Aprendi a blindar meu coração, mas não estou livre de sentir. 
Muitas vezes o desespero bate na minha porta. Espanca minha porta, tenta arrombar minha porta. Mas busco sempre e de alguma maneira neutralizá-lo. Aprendi na TERAPIA a criar mecanismos para isso. 
- Não guardar rancor. 
- Vomitar o que me faz mal internamente. 
- Explodir e colocar para fora os sentimentos negativos de ódio, raiva e outros que possam me fazer mal, mesmo que isso pareça um mal no momento em que é exposto. 
Tem dias que realmente você não tem vontade de sair da cama. 
Sensação de cansaço, de que esse mundo é uma merda, de que grande parte da humanidade é cruel e de que não há nada concreto que possamos fazer para mudar isso. 
Então você lembra que não está sozinho e tenta tirar forças para que esse sentimento profundo de tristeza não te afunde mais. 
Algumas pessoas reagem melhor que outras, mas não devemos condenar ninguém. 
A sensibilidade de alguns é muito mais forte do que se imagina quando se vê a imagem com cara de malvado e com uma atitude de enfrentamento. Doer a dor dos outros. Das desigualdades, das guerras, das perdas, das pessoas que nem conhecemos ou tão pouco precisaríamos nos preocupar. 
Quando perdi o meu parceiro de banda. Rodrigo Netto, que foi assassinado no Rio de janeiro. O chão se abriu e a crueza do mundo ficou ainda mais latente. Minha revolta subiu ao nível máximo. Eu queria novamente me vingar desse mundo. Mas dessa vez não usando minha própria vida. Canalizei a revolta para outros caminhos. Mas estava lá o sentimento de que esse mundo não vale a pena. E entendi o que Renato Russo disse quando Versou "São meus filhos que tomam conta de mim...." 
Pois bem. 
O suicídio por muitos é encarado como um ato de covardia, de egoísmo, de fragilidade e pode até ser. Mas é muito fácil de julgar olhando apenas os elementos que TE RODEIAM. Muito fácil falar quando não é sua alma que está sangrando. Porque a sua vida, seja ela como for, tem razões para seguir. Nem todo dinheiro, fama, ou seja lá o que faz as pessoas condicionar a felicidade esteja atrelada a algo material que possa suprir o que cada pessoa tenha como emoção e razão dentro de si. 
Não existem culpados. 
A pressão que nós sofremos é muito grande. Muito maior do que imaginam aqueles que através desse novo mecanismo de comunicação que nos coloca cara a cara com com muita maldade de muita gente sem consciência e sem escrúpulo. 
Pode ter certeza absoluta que isso machuca muito qualquer ser humano. Desde um garoto na escola que sofre com as brincadeiras de mal gosto de seus colegas, quanto essa corja que faz questão de invadir seus espaços para te ofender, te criticar, de humilhar muitas vezes, como se nós tivéssemos a obrigação de sermos imunes a estas colocações. 
A internet e essa possibilidade de fazer contato com o amor e com o ódio das pessoas, pode sim, catalisar um processo de negação, de dor e de desespero. A exposição é muito grande. 
Há quem saiba lidar com isso e há quem se sinta atingido. 
Já me senti atingido muitas vezes. E não tenho medo de expor, sob a condição de que venham usar isso contra mim. 
Nessa madrugada mesmo, após receber a triste notícia da perda de uma pessoa que conheci, li mensagens como: 
"E agora Tico Santa Cruz, só falta você"... entre outras coisas que num momento de dor e angustia te fazer perder a crença na humanidade. 
Não vou teorizar sobre o que levou o Champignon a tal decisão. Mas foi algo muito grave e muito triste. MUITA PRESSÃO. E acho que não cabe a ninguém julgar sua atitude, pois NENHUM DE NÓS jamais saberá o que esse cara estava passando. 
Ao invés de dizer que ele tinha tudo e que ainda deixou sua esposa grávida. Se questionem, se ele tinha tudo e ainda deixou sua esposa grávida e um futuro pela frente, o que pode ter motivado seu ato final? 
Quem sofre na alma, às vezes pode acionar a saída de emergência. E por mais egoísta que isso possa soar, julgar e condenar, não me parece uma atitude de quem se sente superior a ponto de estar em condições de dar o veredicto final. 
Não existe volta. Todos nós temos momentos de dor, alguns sentem mais. 
Eu decidi que não iria me entregar, mas não me sentiria um covarde se resolvesse partir. Tenho razões fortes para continuar lutando nesse plano. Mas que sinto uma grande tristeza e muitas angústias quando vejo a falta de COMPAIXÃO das pessoas de forma geral. E pobre de quem acredita que questões materiais sejam um bom motivo para justificar as decisões. 
O verdadeiro motivo que nos mantém vivos é encontrar algo ou alguém que nos fortaleça nos momentos mais difíceis, e num mundo de tanta falsidade - basta um segundo e você pode perder a razão. 
Lhes digo com convicção - lutem, não se entreguem, não se deixem levar pelo lado cruel das pessoas. Mas lhes digo também. Não julguem aqueles que desistiram. Vocês não são melhores ou mais corajosos que eles. 
Apenas respeitem, por mais difícil que seja. 
Nesse momento, a quem é do bem, a quem tem amor pelo próximo, é dedicar a sua energia boa aos amigos e a quem ficou.
Pode acreditar. 
É muito mais difícil amar os outros do que expandir seu ódio e seus conceitos de superioridade. 



Tico Sta Cruz.