Mostrando postagens com marcador atividade cerebral. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador atividade cerebral. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Teoria de Freud é respaldada por escâneres cerebrais

Cientistas da King’s College e da Universidade de Melbourne dão razão ao psicanalista ao apontar lembranças reprimidas como causa da histeria

Hans Casparius/ Getty Images
Sigmund Freud talvez tenha tido razão ao apontar lembranças reprimidas como causa da histeria.

Cientistas da King’s College, em Londres, e da Universidade de Melbourne descobriram, utilizando escâneres cerebrais, que o estresse psicológico pode ser o responsável por sintomas físicos sem explicação, como paralisias e convulsões.

Os pacientes apresentaram diferenças na atividade cerebral quando tiveram lembranças traumáticas comparados com voluntários saudáveis em um estudo publicado na edição da revista JAMA Psychiatry do mês passado. Além de apoiar a teoria de Freud e ajudar a explicar uma das reclamações mais comuns ouvidas pelos neurologistas, a pesquisa poderia criar novas abordagens de tratamento para os pacientes cujos sintomas costumavam ser menosprezados pelos doutores no passado.

“Trata-se do primeiro artigo de que eu sou ciente que realmente mostra que eventos traumáticos prévios definitivamente podem desencadear esse tipo de resposta motora”, disse John Speed, professor de medicina e reabilitação física na Universidade de Utah em Salt Lake City, que não esteve envolvido na pesquisa. “Isso é muito estimulante”.

A pesquisa é uma das mais recentes que demonstram como dispositivos de escâner cerebral feitos por companhias como a Siemens AG, a General Electric Co. e a Royal Philips NV estão sendo usados para ajudar a desvendar sintomas neuropsiquiátricos que costumavam desconcertar os médicos.

Os cientistas utilizaram imagens de ressonâncias magnéticas (fMRI) para acompanhar mudanças no fluxo sanguíneo para áreas específicas do cérebro enquanto se perguntava aos participantes sobre seu passado, o que produziu vistas anatômicas e funcionais dos seus cérebros.

As lembranças reprimidas foram um princípio das teorias psicológicas de Freud sobre a natureza dos processos mentais inconscientes. O neurologista austríaco, que ficou conhecido como o pai da psicanálise, usou o termo repressão para descrever a forma em que eventos emocionalmente dolorosos podiam ser bloqueados fora da consciência. Este mecanismo de autoproteção, postulou Freud, podia criar sintomas psicossomáticos rotulados “histeria” na época, em um processo atualmente conhecido como conversão.

‘Fingindo’

Os casos se manifestam tipicamente em forma de uma fraqueza ou paralisia em um lado do corpo, similar a um derrame. Entre os sintomas podem ocorrer convulsões não causadas por epilepsias. Os médicos nunca descobriram uma base neurológica para a condição – os cérebros, nervos e músculos dos pacientes pareciam estar normais –, o que os leva a acreditarem que os sintomas são psicossomáticos e criam a suspeita de que os pacientes estejam inventando suas doenças, disse Richard Kanaan, professor de psiquiatria na Universidade de Melbourne e um dos autores do estudo.

“Ainda é pouco entendido, até mesmo pela maioria dos médicos”, disse Speed, que tratou mais de 200 casos. “Eu tive inúmeros pacientes que me disseram que ninguém acreditava neles, ou que lhes disseram bruscamente que estavam fingindo”.

O estudo realizado por Kanaan e seus colegas da King’s College, em Londres, envolveu 12 pacientes com desordem de conversão e 13 adultos saudáveis sem a condição.

Modelo freudiano

Todos os participantes foram identificados por ter experimentado eventos estressantes na vida. Os pesquisadores empregaram fMRI para localizar as áreas com atividade cerebral quando se pediu aos participantes que lembrassem detalhes sobre essas experiências.

Nos pacientes com conversão, a lembrança pareceu ativar uma área do cérebro conhecida como o córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo, ao passo que outras lembranças – até mesmo as irritantes – em ambos os grupos de pacientes ativaram o hipocampo, uma parte do cérebro importante para a formação das lembranças.

“Trata-se, eu acho, da primeira exploração científica de algo como um modelo freudiano, que é ignorado há tempos”, disse Kanaan, em entrevista do seu escritório no Austin Hospital de Melbourne, no qual é diretor de psiquiatria.

A abordagem de Freud para tratar os pacientes com desordem de conversão consistia em desvelar o trauma suprimido mediante a psicoterapia e ajudar a relembrar e reprocessar essas lembranças para aliviar os sintomas.

Ainda que Freud não tivesse as ferramentas para explorar os mecanismos mediante os quais podia ocorrer a desordem da conversão, ele “acertou o conceito”, disse Speed. “A conversão é simplesmente uma manifestação física muito incomum e mais grave do estresse, na qual há um bloqueio de mensagens do ou para o cérebro”.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Jogar videogame melhora o cérebro, conclui estudo

Olhar Digital
Pesquisadores descobriram que jogar videogames pode fazer muito bem ao cérebro, à medida que estimula o crescimento da massa cinzenta - responsável pelo controle muscular, memória, linguagem e percepção sensorial.

O estudo que chegou a essa conclusão foi realizado pelo jornal Molecular Psychiatry, conforme noticiado pelo Mashable. Os pesquisadores do Instituto Max Planck para o Desenvolvimento Humano, de Berlim, e do Hospital St. Hedwig fizeram adultos jogarem Mario no Nintendo DS por 30 minutos ao dia durante dois meses. Então notaram "aumento significativo da matéria cinzenta".

Houve melhora tanto no hipocampo bilateral quanto em porções do córtex pré-frontal direito - sendo o primeiro responsável pela formação da memória e de conexões sensoriais como cheiros, sons etc. À medida que os voluntários se aperfeiçoavam no jogo, seus cérebros melhoravam.

O Mashable nota que até o desejo por jogar foi positivo, pois os ganhos daqueles que declararam ter gostado do Mario foram superiores. Os pesquisadores acreditam que isso esteja relacionado ao sistema de recompensas do cérebro por causa da liberação de dopamina que, eventualmente, aumenta a massa cinzenta.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Atividade cerebral revela a base da “luz” em experiências de quase morte

atividade-cerebral-luz-experiencia-morte-discovery-noticias

Pode haver uma explicação científica para as vívidas experiências de quase morte, tais como a luz brilhante que algumas pessoas relatam depois de sobreviver a um ataque cardíaco, afirmam cientistas norte-americanos.

Ao que parece, o cérebro continua trabalhando por até 30 segundos depois que o fluxo de sangue é interrompido, segundo um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

No experimento, cientistas da Universidade de Michigan anestesiaram nove ratos de laboratório e os submeteram a uma parada cardíaca induzida.

Nos primeiros 30 segundos depois que seu coração parou, todos os ratos apresentaram um aumento da atividade cerebral, observado em uma série de eletroencefalogramas (EEG) que indicaram estados mentais de alta excitação.

“Ficamos surpresos com os altos níveis de atividade”, comenta George Mashour, professor de anestesiologia e neurocirurgia da Universidade de Michigan.

“Na verdade, perto da morte, muitos sinais elétricos de consciência excederam os níveis do estado de vigília, sugerindo que o cérebro é capaz de manter uma atividade elétrica bem organizada durante a fase inicial da morte clínica”.

Resultados semelhantes em relação à atividade cerebral foram observados em ratos asfixiados, segundo os pesquisadores.

“O estudo confirma que a redução de oxigênio, ou do oxigênio e da glicose, durante uma parada cardíaca pode estimular a atividade cerebral característica do processamento consciente”, explica um dos pesquisadores, Jimo Borjigin. “Ele também fornece o primeiro arcabouço científico para as experiências de quase morte relatadas por muitos sobreviventes de paradas cardíacas”.

Cerca de 20% das pessoas que sobrevivem a uma parada cardíaca relatam ter tido visões durante um período conhecido pelos médicos como “morte clínica”.

Borjigin espera que o estudo “seja a base de futuros estudos em seres humanos, que investiguem as experiências mentais em um cérebro agonizante, incluindo visões de luz durante infartos”.

A ciência tradicional sempre acreditou que o cérebro permanecia inativo durante esse período, e alguns especialistas questionaram o que um estudo realizado com ratos pode realmente revelar sobre o cérebro humano.

“Sabemos se os animais experimentam algum tipo de ‘consciência’ ? A maioria dos filósofos e cientistas ainda não consegue chegar a um acordo sobre o que isso significa em seres humanos, quanto mais em outras espécies”, argumenta David McGonigle, professor da Universidade de Cardiff.

“Embora pesquisas recentes sugiram que os animais possam realmente ter o mesmo tipo de memórias autobiográficas dos humanos – as lembranças que nos localizam em um determinado tempo e lugar – parece improvável que as experiências de quase morte sejam necessariamente semelhantes em outras espécies”.

Anders Sandberg, pesquisador da Universidade de Oxford, descreveu a pesquisa como “simples” e “bem-feita”, mas pediu cautela na interpretação dos resultados .

“A análise dos EEGs revela coisas sobre a atividade cerebral da mesma fora que ouvir o barulho do trânsito nos diz o que está acontecendo na cidade. Certamente é informativa, mas também representa uma média de uma série de interações individuais”, explica.

“Sem dúvida, algumas pessoas podem supor que essa é uma prova de que existe vida após a morte, o que é uma tolice dupla. Experiências de quase morte são, em si, apenas experiências”, pontua. “Mas se alguém acredita nisso, também deve concluir que a vida após a morte também está repleta de ratos de laboratório”.