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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Facebook cria Look Back, um presente para o usuário

Ferramenta permite que quem usa o Facebook reveja seus melhores momentos desde que entrou na rede social

Reprodução
O Facebook completa hoje 10 anos de existência. Para comemorar a data, a rede social disponibilizou para cada usuário uma compilação com seus melhores momentos. Lançada hoje, a novidade foi batizada de Look Back.

Em forma de vídeo, o Look Back permite ao usuário rever parte de suas atividades no Facebook. Logo no início, o ano de cadastro do usuário aparece acompanhado de sua primeira foto de perfil.

Depois, o filme exibe suas primeiras publicações no Facebook. Logo em seguida, aparecem aquelas que foram mais curtidas por outros usuários. Por fim, há um espaço reservado para as suas fotos que foram mais compartilhadas.

1,2 bilhão

Criado num quarto da Universidade de Harvard e inicialmente restrito a estudante, o Facebook é hoje uma potência da internet com mais de 1.2 bilhão de usuários ativos mensais.

O inchaço já foi alvo de previsões pessimistas - como o estudo da Universidade de Princeton que afirmou que a rede social pode morrer até 2017. Em resposta bem-humorada, o Facebook divulgou estudo mostrando que Princeton pode não ter mais alunos em 2021.

Entretanto, é inegável que a rede tem pela frente o desafio de continuar crescendo. Menos forte entre jovens, o Facebook pode estar perdendo espaço para novos ambientes eletrônicos - como o Snapchat.

Facebook completa 10 anos; veja trajetória da empresa

Brasil atingiu um total de 76 milhões de usuários ativos mensais em 2013
Reprodução
Nesta terça-feira (4), o Facebook, uma das maiores redes sociais do mundo, comemora 10 anos de existência. 

Fundado em 2004 por Mark Zuckerberg, Eduardo Saverin, Dustin Moskovitz e Chris Hughes, o site, que antes se chamava “The Facebook”, era destinado, inicialmente, aos estudantes da Universidade de Harvard.

Poucos meses depois do lançamento, a rede social foi expandida às universidades de Stanford, Columbia e Yale. No final do ano letivo, Zuckerberg  e Moskovitz se mudaram para Palo Alto, na Califórnia, onde se juntaram a Adam D'Angelo, Sean Parker e Andrew McCollum para se dedicarem ao desenvolvimento do Facebook.

Pouco tempo depois os proprietários do site HarvardConnection, Divya Narendra, Cameron Winklevoss e Tyler Winklevoss, posteriormente chamado ConnectU, entraram com uma ação judicial contra o Facebook alegando que Zuckerberg teria utilizado ilegalmente informações pertencentes ao HarvardConnection. No entanto, a ação não procedeu e o Facebook ainda recebeu US$ 500 mil do investidor anjo e co-fundador do PayPal, Peter Thiel. No final de 2004, o site já contava com uma base de mais de 1 milhão de usuários.

No ano seguinte, o Facebook recebeu mais investimentos e comprou o domínio “facebook.com” da AboutFace por US$ 200 mil. A rede social foi repaginada e expandida para mais de 2 mil colégios e 25 mil universidades no Canadá, Reino Unido, México, Porto Rico, Ilhas Virgens Americanas, Austrália, Nova Zelândia e Irlanda.

Em 2006, o site atingiu o valor estimado de US$ 2 bilhões, novos recursos foram adicionados à plataforma e se expandiu para a Índia, Alemanha e Israel. Em setembro desde mesmo ano, Facebook deixou de ser exclusivo do mundo acadêmico e foi aberto o cadastro para todo o público.

Na metade de 2007, a rede social anunciou um plano para adicionar classificados grátis em seu website, que hoje é a fonte de renda do Facebook. Meses depois, a Microsoft comprou 1,6% da companhia por US$ 240 milhões. No ano seguinte, em uma tentativa de eliminar concorrentes, Zuckerberg fez uma oferta milionária para comprar o Twitter, que foi rejeitada pelos fundadores do microblog.

No início de 2012, o Facebook se tornou a maior rede social no Brasil e na America Latina, ultrapassando o Orkut, Tumblr, Twitter. Segundo dados da ComScore, a rede atraiu 36,1 milhões de visitantes durante o mês de dezembro de 2011, superando os 34,4 milhões registrados pela rede social do Google.

Além disso, esse foi um ano importante para o Facebook, pois suas ações foram lançadas na bolsa da Nasdaq, onde registrou 421,2 milhões em ações vendidas, e devido à grande procura, aumentou o valor de uma ação de US$ 34 para US$ 38, atingindo o máximo esperado. Em outubro, Zuckerberg informou que havia já mais de 1 bilhão de usuários ativos no Facebook.

No Brasil

Em setembro do ano passado, a empresa divulgou dados que colocavam o Brasil como o principal mercado latino-americano, com 76 milhões de usuários ativos mensais. Vale lembrar que o País é o terceiro com maior número de usuários, perdendo somente para os Estados Unidos e a Índia, com 179 milhões e 82 milhões de usuários ativos mensais respectivamente.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

A luta entre os smartphones está longe do final

A evolução dos telefones celulares destronou gigantes e deu uma nova chance a empresas esquecidas — prova de que os ciclos tecnológicos estão cada vez mais rápidos

Nexus 4, smartphone do Google e LG
Reprodução/Exame.com

A trajetória das fabricantes de smart­phones na última década mostra por que o mercado de telefonia móvel é apontado por analistas como o mais dinâmico do setor de tecnologia. O caso mais conhecido é da finlandesa Nokia, que chegou a ter 50% do mercado em 2007 e hoje luta para manter um décimo dessa participação.

O pecado da Nokia foi a soberba. Uma vez no topo, a fabricante não soube reconhecer que as inovações trazidas pelo iPhone, como a tela sensível ao toque e a loja de aplicativos, transformariam o mercado. De um mal parecido sofreu a canadense RIM.

A fabricante do BlackBerry chegou a responder por seis em cada dez smartphones vendidos nos Estados Unidos em 2008, mas foi atropelada por Apple e Samsung, as duas empresas que entenderam que o design era um fator tão importante quanto o desempenho tecnológico. Essa dinâmica destrutiva do mercado de telefonia também abriu caminho para novos entrantes.

Um dos exemplos mais notórios é o Google, que em 2008 lançou o sistema Android, hoje presente em 75% dos aparelhos mais sofisticados. No movimento mais recente do setor, empresas tidas como fora da briga estão voltando. É o caso da coreana LG, que já teve uma posição confortável, cometeu erros, foi punida e agora esboça uma reação.

O que impressiona na trajetória recente da LG é a velocidade com que os ventos mudaram — tudo ocorreu em cinco anos. A coreana chegou a ter 10% das vendas globais de telefones em 2009, atrás apenas de Nokia e Samsung, mas caiu para a quinta colocação em 2012, com 3,3%.

O tombo foi causado por uma sucessão de erros cometidos no fim da última década, como insistir na produção de aparelhos simples enquanto os smartphones já despontavam. Para se recuperar, valeu até abandonar outro mercado promissor, o de tablets. “A LG colocou os esforços para a produção de tablets em segundo plano. A prioridade são os smartphones”, disse o coreano Ken Hong, porta-voz da LG, em junho do ano passado. 

O primeiro passo foi dado em 2011, quando a LG priorizou o desenvolvimento de aparelhos com tecnologia 4G, uma geração à frente dos aparelhos mais sofisticados daquela época. Quando as redes 4G passaram a ser implantadas em larga escala nos Estados Unidos, na Europa e no Japão, no ano passado, a empresa estava bem posicionada — tinha telefones tão sofisticados quanto os de Apple e Samsung.

Outro passo importante foi a aliança com o Google, selada no fim do ano passado, para fabricar o Nexus — aparelho então produzido pela Samsung. Precisando de um cartão de visita, a LG aceitou reduzir as margens e cumprir as exigências técnicas do Google para ganhar a briga.

O esforço — por ora — deu certo. As vendas do Nexus foram fundamentais para a LG comercializar 10 milhões de smartphones no primeiro trimestre de 2013 em todo o mundo, o dobro do número registrado no mesmo período do ano passado. Pela primeira vez, desde 2009, a LG conseguiu crescer e voltou a ocupar a terceira posição entre as fabricantes de smartphones.

A coreana guarda duas cartas na manga para o segundo semestre. Em agosto, lançará o G2, um smartphone com tela de 5,3 polegadas, apontado por blogs de tecnologia como favorito ao título de celular do ano. Em outubro, está prevista a chegada às lojas de uma nova versão do Nexus.

Com as mudanças, a LG começa a recuperar a confiança dos investidores. Mesmo com as vendas da divisão de TVs estacionadas, os resultados dos smartphones têm elevado o preço de suas ações. Em julho, de 47 analistas dos principais bancos do mundo que acompanham a companhia, dois indicavam a venda dos papéis. A maioria prevê, mesmo após uma valorização recente de 12%, uma perspectiva de alta em 2013.

Um olhar no amanhã

A estratégia de pular um ciclo tecnológico também foi usada pela fabricante americana de processadores Qualcomm. Uma das líderes do mercado de chips para celulares até meados dos anos 2000, a companhia viu sua situa­ção mudar quando uma parte importante das operadoras de celular trocou a tecnologia CDMA, patenteada pela Qualcomm, pela GSM, que contava com um número maior de fornecedores.

A reação começou ainda no fim dos anos 2000, quando a Qualcomm passou a investir no desenvolvimento de componentes para as redes 4G. A aposta foi recompensada. Hoje, ela tem 59% do mercado de processadores para celulares e lucrou 6 bilhões de dólares no ano passado, 40% mais do que o resultado de 2011.

Sobressaltos assim fazem com que os analistas de tecnologia tenham uma postura cautelosa em relação ao futuro do mercado de telefonia. Do ponto de vista histórico, a corrida está no começo. O Nokia Communicator, primeiro smartphone do mundo, foi lançado em 1996. Foram necessários 16 anos para chegar à marca de 1 bilhão de aparelhos vendidos, atingida em 2012.

O próximo bilhão, de acordo com a consultoria americana Strategy Analytics, será alcançado até 2015. “O mercado de smartphones está em aberto”, diz o indiano Anshul Gupta, analista da consultoria Gartner. Segundo ele, cerca de 50% das vendas de telefones móveis são de smartphones. A outra metade é de celulares. “Dentro de cinco anos, os aparelhos mais simples terão apenas 5% de participação em países ricos.” 

O avanço da capacidade de processamento das máquinas tem produzido ciclos tecnológicos cada vez mais curtos na última década. As TVs coloridas levaram mais de 30 anos para se popularizar. Os computadores, pouco mais de uma década. Já os smartphones precisaram de poucos anos.

O resultado prático disso é que as empresas hoje são obrigadas a fazer grandes investimentos para se manter competitivas em tecnologias que podem entrar em decadência rapidamente. “O desafio é decidir quando vale a pena persistir num negócio que oferece margens de lucro reduzidas, mas que pode ser importante para o próximo ciclo tecnológico”, afirma Horace Dediu, fundador da consultoria Asymco. 

Quem não marca presença corre o risco de ficar para trás, como aconteceu com a americana Intel. A fabricante de processadores lidera há décadas o mercado de PCs, com mais de 90% de participação. Mas não conseguiu criar um produto adequado aos smartphones, que exigem bom desempenho e baixo consumo de bateria.

“Agora, estamos nos preparando para o que acreditamos ser o próximo ciclo tecnológico”, afirma Fernando Martins, presidente da Intel no Brasil. O executivo refere-se ao que vem sendo chamado de “internet das coisas”, uma nova era em que, segundo algumas previsões, os processadores estarão presentes em eletrodomésticos, carros e roupas.

Nos laboratórios da Intel, já está em testes uma lente de contato com um chip. A ideia é ter uma pequena tela de computador integrada à visão, no estilo do Glass, os óculos do Google. Outra tecnologia em estudo é da tinta com sensores capazes de analisar dados como temperatura e umidade do ambiente.

É cedo para dizer se a Intel conseguirá recuperar sua relevância já no próximo ciclo tecnológico. O que se pode dizer, com base na experiência recente, é que os perdedores de hoje podem muito bem ser os vencedores de amanhã.